Despejo por Falta de Pagamento: Entenda Como Funciona o Processo Judicial

Mulher surpresa ao receber uma notificação de despejo por falta de pagamento do aluguel.
Receber uma notificação de despejo pode causar surpresa e medo, mas é um procedimento previsto em lei.

O despejo por falta de pagamento é uma das situações mais comuns no direito imobiliário brasileiro. Quando o inquilino deixa de pagar o aluguel, o proprietário pode buscar a retomada do imóvel por meio de ação judicial.

Neste artigo, você vai entender como funciona o despejo, quais são os prazos, os direitos das partes e quais cuidados devem ser observados.

O que é o despejo por falta de pagamento

O despejo é o procedimento judicial utilizado pelo proprietário para retomar um imóvel alugado quando há descumprimento do contrato.

No caso da falta de pagamento, o despejo ocorre quando o inquilino deixa de pagar aluguel, encargos ou outras obrigações previstas no contrato.

A base legal está na Lei do Inquilinato, especialmente no art. 9º.

Quando o despejo pode ser solicitado

O despejo por falta de pagamento pode ser solicitado quando há:

  • atraso no aluguel
  • inadimplência de condomínio ou IPTU, se previsto em contrato
  • descumprimento de cláusulas financeiras

É importante destacar que o atraso não precisa ser muito longo. Um único mês em atraso já pode justificar a ação.

Para entender melhor como evitar essa situação, veja também o artigo sobre Inadimplência no Aluguel: Como Evitar Prejuízos e Garantir a Tranquilidade do Seu Imóvel.

Tipos de ação de despejo

Despejo com cobrança

O proprietário cobra os valores em atraso no mesmo processo.

Despejo sem cobrança

O proprietário apenas busca a retomada do imóvel.

Despejo com liminar

Pode ocorrer quando não há garantia no contrato, como fiador ou seguro-fiança.

Nesse caso, o juiz pode determinar a saída do inquilino rapidamente.

Despejo liminar: quando é possível

A liminar de despejo está prevista no art. 59 da Lei do Inquilinato.

Ela pode ser concedida, por exemplo, quando:

  • não há garantia locatícia
  • o contrato já foi encerrado
  • há inadimplência sem respaldo contratual

Nesses casos, o juiz pode determinar a desocupação em cerca de 15 dias.

Direito do inquilino de pagar a dívida

Mesmo após o início do processo, o inquilino ainda pode evitar o despejo.

Isso ocorre por meio da chamada purga da mora.

O prazo é de 15 dias após a citação, conforme art. 62 da Lei do Inquilinato.

Para isso, ele deve pagar:

  • aluguéis atrasados
  • multas
  • juros
  • custas e honorários

Se o pagamento for feito corretamente, o contrato continua.

Como funciona o processo de despejo

1. Protocolo da ação

O proprietário entra com a ação judicial.

2. Citação do inquilino

O inquilino é informado oficialmente.

3. Prazo para defesa ou pagamento

O inquilino pode:

  • pagar a dívida
  • apresentar defesa

4. Decisão judicial

O juiz pode:

  • conceder despejo
  • negar o pedido
  • determinar prazo para saída

5. Cumprimento da ordem de despejo

Se o imóvel não for desocupado, pode haver despejo forçado com apoio de oficial de justiça.

Quais documentos são necessários

Para propor a ação, normalmente são exigidos:

  • contrato de locação
  • comprovantes de inadimplência
  • planilha de débitos
  • matrícula do imóvel
  • documentos pessoais das partes

A organização desses documentos é essencial para o andamento do processo.

Prazos no despejo por falta de pagamento

Os prazos podem variar, mas em geral:

  • 15 dias para purgar a mora
  • 15 dias para desocupação em liminar
  • meses ou anos em processos sem liminar

A duração depende da complexidade e da atuação das partes.

Custos envolvidos

Os principais custos incluem:

  • custas judiciais
  • honorários advocatícios
  • despesas com execução da ordem

Os valores variam conforme o estado e o valor da causa.

Direitos e deveres das partes

Do proprietário

  • cobrar valores devidos
  • retomar o imóvel
  • exigir cumprimento do contrato

Do inquilino

  • pagar a dívida dentro do prazo
  • permanecer no imóvel se regularizar a situação
  • apresentar defesa

Para entender melhor as regras contratuais, veja o conteúdo sobre Contratos de Locação: o cuidado com as cláusulas evita litígios e garante estabilidade.

Riscos e cuidados importantes

Alguns erros comuns podem prejudicar o processo:

  • falta de documentação adequada
  • cobrança incorreta dos valores
  • cláusulas contratuais inválidas

Também é importante verificar as garantias locatícias. Saiba mais em Caução, Fiador ou Seguro-Fiança? Compare as Garantias Locatícias.

Exemplo prático

Imagine que um inquilino deixa de pagar o aluguel por dois meses.

O proprietário pode:

  1. Notificar informalmente
  2. Ingressar com ação de despejo
  3. O inquilino é citado
  4. Ele paga a dívida dentro de 15 dias

Nesse caso, o despejo não ocorre.

Se não houver pagamento, o juiz pode determinar a saída.

Perguntas frequentes

O despejo pode acontecer imediatamente

Depende. Em alguns casos, o juiz pode conceder liminar para saída em 15 dias.

O inquilino pode evitar o despejo

Sim. Basta pagar a dívida dentro do prazo legal.

É possível negociar durante o processo

Sim. As partes podem fazer acordo a qualquer momento.

O proprietário pode trocar a fechadura

Não. Isso é ilegal e pode gerar indenização.

Quanto tempo demora um despejo

Depende. Pode levar meses ou mais, especialmente sem liminar.

Conclusão

O despejo por falta de pagamento é um instrumento legal importante para proteger o proprietário, mas também garante ao inquilino o direito de regularizar a situação.

Compreender os prazos, direitos e etapas do processo é essencial para evitar prejuízos e tomar decisões mais seguras.

Se você está passando por essa situação, vale buscar orientação jurídica ou aprofundar a leitura em conteúdos relacionados do nosso blog.

Compartilhe esse post com alguém:

Faça um comentário:

Fique por dentro de tudo:

Veja também: