Prescrição penal: prazos, cálculo e quando ocorre a extinção da punibilidade

Ampulheta e martelo do juiz simbolizando a prescrição penal nos processos
A ampulheta representa o prazo que leva à prescrição penal e ao arquivamento do processo

A prescrição penal é um dos temas mais importantes no Direito Penal e impacta diretamente o andamento do processo, pois define até quando o Estado pode investigar, processar ou executar uma pena. Entender como ela funciona é essencial para avaliar prazos, identificar riscos e compreender o que realmente acontece quando o tempo legal se esgota.

O que é prescrição penal

Prescrição penal é a perda do direito de punir pelo decurso do tempo. Quando o prazo prescricional se esgota, ocorre a extinção da punibilidade prevista no art. 107, IV, do Código Penal. Isso significa que o Estado não pode mais instaurar ou continuar o processo penal nem executar eventual pena.

A prescrição penal está regulamentada nos arts. 109 a 119 do Código Penal.

Prazos de prescrição penal conforme o Código Penal

Os prazos prescricionais variam conforme a pena máxima prevista para o crime. O art. 109 do Código Penal apresenta a tabela base.

Tabela de prazos segundo o art. 109 do Código Penal

  • Pena máxima superior a 12 anos: prescrição em 20 anos.
  • Pena máxima maior que 8 e não superior a 12 anos: prescrição em 16 anos.
  • Pena máxima maior que 4 e não superior a 8 anos: prescrição em 12 anos.
  • Pena máxima maior que 2 e não superior a 4 anos: prescrição em 8 anos.
  • Pena máxima igual ou inferior a 2 anos: prescrição em 4 anos.

Esses prazos valem para a chamada prescrição da pretensão punitiva.

Tipos de prescrição penal

Prescrição da pretensão punitiva

Ocorre antes do trânsito em julgado para a acusação. Pode ser calculada:

  • Pela pena máxima em abstrato do crime.
  • Pela pena aplicada na sentença, após eventual condenação, conforme art. 110, 1º.

Essa modalidade impede o prosseguimento do processo e evita condenação ou execução da pena.

Prescrição retroativa

Regulada pelo art. 110, 2º. O cálculo ocorre entre:

  • A data do recebimento da denúncia ou queixa.
  • A data da publicação da sentença condenatória.

Ela permanece válida, conforme entendimento reiterado pelo STJ, desde que observados os limites legais.

Prescrição intercorrente

Surge durante o curso do processo, quando há paralisação superior ao prazo prescricional aplicável.

Prescrição da pretensão executória

Prevista no art. 110, caput. Ocorre após o trânsito em julgado da condenação para ambas as partes. Se a pena não é executada dentro do prazo legal, extingue-se a punibilidade.

Causas que interrompem ou suspendem a prescrição penal

Compreender esses fatores é essencial para calcular o prazo corretamente.

Causas interruptivas (art. 117 do CP)

A prescrição é interrompida, por exemplo, pelo recebimento da denúncia, pela publicação de sentença condenatória ou pelo início do cumprimento da pena.

Causas suspensivas (art. 116 do CP)

O prazo fica suspenso quando:

  • O réu está fora do país em local não sabido.
  • Não é possível iniciar o processo por questão jurídica temporária.

Quando a causa suspensiva termina, a contagem retorna de onde parou.

Como calcular a prescrição penal na prática

O cálculo envolve três passos básicos:

  1. Identificar a pena máxima ou a pena aplicada, dependendo da fase do processo.
  2. Aplicar a tabela do art. 109 do CP.
  3. Verificar se houve interrupções ou suspensões ao longo do processo.

Exemplo simples

Crime com pena máxima de 4 anos.
Prescrição base: 8 anos.
A denúncia foi recebida em 2016 e não houve movimentação relevante até 2025.
Prescrição provável: sim, pois o prazo de 8 anos foi ultrapassado sem interrupções.

Esse exemplo é meramente ilustrativo.

A prescrição penal arquiva o processo?

Não. A prescrição não gera arquivamento, mas sim extinção da punibilidade, conforme art. 107 do CP. O juiz reconhece a prescrição e encerra o processo, mas o conteúdo continua registrado nos autos.

Para o Ministério Público, eventual investigação é arquivada por impossibilidade de continuidade, mas tecnicamente o efeito jurídico principal é a extinção da punibilidade.

Quando a prescrição penal pode ser reconhecida de ofício

O juiz pode reconhecer a prescrição a qualquer momento, inclusive antes da sentença, desde que os elementos dos autos permitam a análise do prazo. O STJ reconhece que a prescrição é matéria de ordem pública e independe de provocação.

Perguntas frequentes sobre prescrição penal

A prescrição zera após a sentença condenatória?

Não necessariamente. O prazo passa a ser calculado com base na pena aplicada, podendo ficar maior ou menor do que o prazo inicial.

Crimes graves também prescrevem?

Sim. A prescrição é regra geral do sistema penal, exceto nos casos expressamente previstos na Constituição, como crimes de racismo e ações de grupos armados contra a ordem constitucional.

A prescrição penal apaga antecedentes?

Não. A extinção da punibilidade impede o prosseguimento do processo, mas não afeta registros anteriores. Para isso existe a reabilitação criminal.

Se o réu fugir, o prazo continua contando?

Não. O prazo fica suspenso até que ele seja localizado, conforme art. 116 do CP.

A prescrição pode ser reconhecida depois de trânsito em julgado?

Sim. Trata-se da prescrição da pretensão executória.

Conclusão

A prescrição penal funciona como um limite temporal para o Estado exercer seu poder de punir. Para compreender o prazo aplicável é necessário analisar a pena máxima, a fase processual e as causas interruptivas ou suspensivas. Casos concretos exigem avaliação individualizada e apoio profissional, especialmente quando há risco de prescrição intercorrente ou retroativa.

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